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Archiver > BRAZIL > 1999-10 > 0938935840


From: Francisco Antonio Doria <>
Subject: [BRAZIL-L] Loreto, I.
Date: Sun, 3 Oct 99 07:30:40 -0000


Não sei exato as motivações de fr. Jaboatão ao escrever seu _Catálogo_. Primeiro, porque a história textual da obra é complicada: tem a data de 1758, mas cita famílias documentadamente posteriores. Penso que o que conhecemos como o _Catálogo_ de Jaboatão é uma obra muito ampliada, da mãe de vários autores, e que foi completada por volta de 1790, data igualmente do ms de Roque Macedo Leme, muito mais enxuto, que está na Biblioteca Nacional.

Suponho que o ms original de Jaboatão se perdeu. Devido a esse caráter enxuto, está próximo do original o ms de Macedo Leme. E, enfim, o que conhecemos como a obra de Jaboatão, publicada em fins do século XIX, é uma obra refundida por diversas mãos, entre as quais talvez o próprio Macedo Leme.

Qual o critério de seleção das famílias, dos títulos genealógicos, no texto de Jaboatão que conhecemos? Não sei, francamente. Em geral tais livros são escritos em momentos de grande movimentação social: quando uma classe nova, emergente, começa a substituir a elite antiga, e essa elite procura reafirmar seus valores e méritos e diferenças ante os `novos.' Foi essa, com certeza, a motivação para o _Livro Velho de Linhagens_, que buscava glorificar os senhores da Maia, em decadência nos fins do século XIII. No caso do _Catálogo_, isso é duvidoso. Antiguidade da família, riqueza, nada disso parece ser o critério básico. Excluem-se, por exemplo, os Tourinhos, radicados em Ilhéus, longe de Salvador e senhores de engenho, casados nos Araújo Goes, que no entanto aparecem no _Catálogo_, esses últimos. Excluem-se os Menezes Dorias da ilha dos Frades, muito ricos e do Recôncavo, e se incluem os Costas Dorias, de Itaparica e de Salvador, seus parentes.

Jaboatão é muito confiável quando cita os assentos de batismo, casamento e óbito; isto é, sobretudo no século XVII e começos do século XVIII. É bastante falho ao lidar com as origens das famílias, no século XVI, e também quando, em meados do século XVIII, cita as últimas, então recentes, gerações - nesse caso provavelmente porque os autores do texto que conhecemos se basearam em testemunhos orais.

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Para os Menezes Dorias, senhores da ilha dos Frades desde fins do século XVII, as fontes para a sua genealogia são:

- Fontes indiretas, com uma linha completa desde o século XVI:

1) Franklin Doria, _Livro de Família_, ms, IHGB, Rio.
2) Belarmino Jácome de Menezes Doria, Certidão de Nobreza, transitada em julgado, ms, AHEx, Salvador, 1857.

- Fonte primária, citada em Jaboatão:

1) Francisco da Silva de Menezes, provanças eclesiásticas, c. 1635.

Há nos ANTT um documento de 1645 sobre este Francisco da Silva de Menezes, que ainda não vi. Essas provanças, suponho, são a fonte usada em diversas genealogias, da mesma época, da Casa de Campo Maior e de Vagos (Teles da Silva e Meneses), para fazerem Clemenza de Oria filha de `Lourenco' (Laramo, Alarame) de Oria.

- Fontes primárias outras:

1) Fragmento de documento da instituição dos morgadios familiares (Loreto, sobretudo), colado numa página do _Livro de Família_ de Franklin Doria. Letra do século XVII.

2) Inventários, desde 1750, dos Menezes Dorias da ilha dos Frades e de Madredeus, no APEBA e em suas publicacões.

Segue na próxima a linha que leva a esses Menezes Dorias, com as fontes.



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Francisco Antonio Doria
Prix Caumont-La Force 1995
(Conféderation Internationale de Généalogie et d'Héraldique.)
Full member, Brazilian College of Genealogists (CBG)

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